A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) defende que o leite materno é o único
alimento capaz de oferecer todos os nutrientes na quantidade exata que o
bebê precisa. Para combater o marketing abusivo de alimentos, que podem
prejudicar o aleitamento, o Ministério da Saúde escolheu como
tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que vai até o dia 7
de agosto, "Amamentação. Garantir este direito é responsabilidade
de todos". A campanha pretende estimular as mães a amamentar
mais seus filhos, e por mais tempo.
De acordo com a SBP, as mamadeiras e chupetas devem ser evitadas durante
o aleitamento pois podem mudar a maneira de mamar dos bebês e fazer
com que eles abandonem o peito.
A manutenção do aleitamento materno mesmo depois da introdução
de outros alimentos na nutrição do bebê é recomendada
não só pela SBP como também pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), já que, segundo pediatras, bebês
de seis a oito meses obtêm 70% de suas necessidades energéticas
do leite materno.
As mães que não amamentam os filhos até a idade recomendada
o fazem por ignorância. A maioria não reconhece a importância
desse ato. Infelizmente, nosso país ainda é muito pobre, com
mulheres muito desinformadas. Pior são aquelas que não amamentam
por uma questão estética - comenta Cássia Kiss, que
amamentou seus outros três filhos até pelo menos um ano de idade.
Segundo
a pediatra Elsa Giugliani, presidente do Departamento de Aleitamento Materno
da SBP, estudos antropológicos sugerem que a duração
da amamentação na espécie humana deveria ser de 2 a
3 anos, em média, idade em que costuma ocorrer o desmame naturalmente.
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As mães que precisam voltar ao trabalho podem colher o leite e
mantê-lo refrigerado para que seja dado ao filho na sua ausência.
Isso ajudará a manter sua produção de leite e ela poderá dar
o peito nos períodos em que estiver em casa. Assim o filho continuará não
só recebendo o alimento, como tendo contato com o seio materno, que é muito
importante - aconselha Elsa.
A pediatra lembra que nos anos de 60 e 70, em
várias partes do mundo,
incluindo o Brasil, houve um dramático declínio das taxas de
aleitamento materno, com implicações desastrosas, como a desnutrição
e a alta mortalidade infantil em áreas menos desenvolvidas.
- Precisamos
recuperar a cultura do aleitamento materno. Além de
nutrir a criança, a amamentação também permite
o contato físico com a mãe, a identificação recíproca
e o despertar de respostas a estímulos sensoriais compartilhados,
base fundamental para o vínculo afetivo entre mãe e filho -
ressalta o presidente da SBP, Dioclécio Campos Jr.
Nas décadas de 1980 e 1990, em resposta a diversas ações
de promoção do aleitamento materno, as taxas aumentaram consideravelmente
no país. A média de duração, que era de apenas
2,5 meses em 1975, passou a ser de 5,5 meses em 1989, 7 meses em 1996 e de
10 meses em 1999, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde.
A
Semana Mundial de Aleitamento Materno foi idealizada pela Aliança
Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba, na sigla em
inglês) e tem sido comemorada desde 1992, em cerca de 120 países.
A Waba também define anualmente o tema central da ação,
que passa a ser discutido nos diversos países, unificando as comemorações
em todo o mundo.
VEJA O FILME , realizado pela VideoCiência, com Cássia
Kiss, seus filhos e o marido, Sergio Brandão, responsável também
pela direção. Todos doaram seu trabalho para a campanha.